O QUE JÁ SABEMOS DA VACINA CONTRA A COVID-19?

Fabiana Schuelter Trevisol
Coordenadora Adjunta PPGCS, professora e pesquisadora da UNISUL
Coordenadora do Centro de Pesquisas Clínicas HNSC/UNISUL

 

Durante o ano de 2020, cientistas do mundo todo estão debruçados para tentar solucionar a pandemia da COVID-19, que já ceifou mais de 1 milhão e meio de vidas e teve mais de 66 milhões de infectados ao redor do globo.

Entre a busca para entender o vírus e combater sua transmissão, encontrar algum medicamento que mude o curso da doença ou uma vacina que impeça a infecção são alguns dos principais objetivos da ciência nos últimos 12 meses.

Após diversos estudos feitos, agora estamos mais perto de termos vacinas eficazes, mas que ainda requerem tempo para que todos tenham acesso e ver se elas irão funcionar, sem causar malefícios. Então, aí vai um resumo dos dados disponíveis até o momento.

Até 12 de novembro havia 164 vacinas candidatas a prevenção da COVID-19, sendo que 48 estavam em fase de testes em seres humanos. O objetivo é criar uma imunidade adaptativa e de memória que seja capaz de proteger contra a infecção pelo SARS-CoV-2 e, consequentemente, evitar a doença (COVID-19).

Cada vacina é diferente, e todas apresentam vantagens e desvantagens. A maior parte das empresas que estão desenvolvendo as vacinas em fases mais avançadas encontram-se no Estados Unidos, China e Europa, embora países da América Latina, como o Brasil, estejam participando no seu desenvolvimento e como voluntários da testagem.

O surto de SARS-Cov-2 levou a rápida expansão de diversas tecnologias, incluindo vacinas de DNA e RNA, nunca testadas clinicamente em seres humanos. Em vez de produzir uma proteína viral em laboratório, algumas vacinas irão ser produzidas com DNA ou RNA que direciona as nossas células a fazer partes de proteínas componentes do novo coronavírus, para então o nosso sistema imune produzir anticorpos contra o SARS-CoV-2.

As vacinas de RNA e DNA não têm um histórico que nos permita saber por quanto tempo durariam no interior das nossas células, se podem sofrer mutações e provocar tumores. Outras vacinas são feitas de proteínas virais ou partículas virais inativadas para a produção de anticorpos diretamente.

Até a presente data, 4 vacinas completaram os estudos de fase III (eficácia e segurança) e buscam o registro para poderem ser distribuídas.

Oxford/AstraZeneca: utiliza um vetor viral e é similar a tecnologia usada para as vacinas contra o Ebola, Zika e Dengue; funcionam como uma vacina de vírus vivo atenuado, que carrega o antígeno de interesse – neste caso, a proteína S do coronavírus. Quando esse vírus infecta as nossas células, ele se apresenta na superfície celular o antígeno, estimulando a produção de anticorpos.

São necessárias duas doses com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda dose. É uma tecnologia nova e complexa, e que pode não funcionar para pessoas imunocomprometidas ou que tenham anticorpos contra o vetor viral.

O vetor viral é considerado um agente geneticamente modificado, o que pode interferir negativamente no meio ambiente. No dia 8 de dezembro, o estudo publicado no Lancet, mostrou que esta vacina apresentou eficácia de 70%

Gamaleya-Sputnik: também utiliza um vetor viral, são duas doses com intervalo de 21 dias entre a primeira e a segunda dose.

BioNTech/Pfizer: vacina que utiliza o RNAm (informação genética do vírus) para produzir a proteína S do vírus, sendo inserido dentro de uma nanopartícula lipídica, para posteriormente produzir os anticorpos. São necessárias duas doses com intervalo de 28 dias entre a primeira e a segunda dose.

Moderna: vacina que utiliza a mesma tecnologia da Pfizer, e com necessidade de duas doses em intervalo de 28 dias.

A vacina Coronavac, que já está sendo inspecionada pela ANVISA para registro, utiliza o vírus vivo inativado. É considerada uma vacina mais segura, pois tem menos efeitos adversos.

O estoque não requer grandes aparatos de refrigeração e congelamento, o que facilita sua distribuição. Contudo, leva mais tempo para promover a imunidade e pode não ser efetiva para cepas mutantes. Precisa de duas doses com intervalo de 14 dias entre elas.

 

Você sabia?

Que o Governo Federal tem negociado com as farmacêuticas para adquirir as doses das vacinas que forem registradas pela ANVISA? Esse registro é fundamental para nos dar mais garantias que elas funcionam e são seguras, e evitar falsificações.

 

Fique atento!

Nem todos terão acesso em um primeiro momento. A vacina será prioritária para profissionais de saúde, idosos e pessoas com comorbidades, que são mais vulneráveis à COVID-19. Portanto, por ora, apesar do otimismo, precisamos focar naquilo que nos dará resultado imediato: distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos.

 

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